Recebi um email interessante, como sempre, do grande pensador e amigo (não necessariamente nessa ordem) Rafa Campoy, do blog Outra Janela, sobre o assunto.

De: Rafa Campoy
Enviada em: terça-feira, 22 de setembro de 2009 15:40
Para: Henrique Gomes
Assunto: pra que apelar?

Pra que apelar?

Um comentário:

Acredito que a decisão de quem faz essa segmentação na comunicação das marcas (coisa para rico ou coisa para pobre) passa por um aspecto ainda muito presente em nossa cultura: a divisão de classes sociais. As pessoas que constróem e aprovam esse tipo de estratégia vêm de uma geração que foi educada por princípios que valorizavam a distinção de classes e por valores que enalteciam a riqueza material, a competitividade e a satisfação imediata – o sonho americano.

Pessoas que hoje entraram (por conveniência) na onda da sustentabilidade. Mas como imaginar um mundo sustentável promovendo a divisão de classes? O mundo é um ente orgânico, suas relações naturais são inseparáveis. Assim somos nós, seres humanos, indivíduos cuja identidade não É, nem ESTÁ, mas faz parte de um aparato social representado por um VIR-A-SER. Por isso, fortalecer a distinção entre quem tem mais e menos dinheiro não é uma atitude sustentável, sobretudo porque não promove a independência de quem tem menos, pelo contrário, somente fortalece a dependência, a degradação do ser e a desigualdade econômica e social.

Pra que apelar? Pra reforçar velhos vícios (insustentáveis). Pra manter o status quo de uma minoria.

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