Será que as marcas são fiéis a nós como elas desejam que nós sejamos fiéis a elas?
Por Carlos Pitchu

Quando fiz 18 anos, minha primeira conta bancária foi no Banco Nacional. Eu lembro que ganhei um boné igual ao do Ayrton Senna, meu ídolo na época. A ligação do Nacional com o Senna era algo mágico que me tornava fiel ao banco.

Passado pouco tempo, o Nacional foi comprado pelo Unibanco. Paralelo a isso, veio o acidente fatal com o meu ídolo. De uma hora pra outra foi-se o Ayrton e veio o banco dos Moreira Sales.

Infelizmente, minha experiência com o Unibanco foi diabólica. Tudo dava errado naquele banco. As tarifas eram injustas e o atendimento pecaminoso.

Foi daí que decidi partir para um banco com uma proposta mais personalizada. Escolhi o Bank Boston. A decisão foi acertada. Me identifiquei com o banco.

Tudo parecia bem, quando o Itaú comprou o Bank Boston. Me senti traído. De uma hora pra outro sofri uma espécie de “downgrade”.

O Itaú me intitulou “Personnalite” e aos poucos, dentro de seus limites, conseguiu me fidelizar.

Mais uns anos se passaram e eis que eu dou de cara com o Unibanco novamente. Não mais que de repente o Itaú se funde com o pior serviço bancário que experimentei na vida. O meu banco escolheu o banco que não escolhi para escolhe-lo. É mais ou menos isso.

Essa história irônica me faz pensar que as marcas investem pesado para fidelizar os seus clientes, mas não se preocupam nem um pouco em serem fiéis a eles, configurando uma troca desequilibrada que a médio prazo não costuma render bons frutos.

Agora, não sei se fico no NacionalBostonItaunibanco ou mudo para o SantanderBanespaReal. Ou quem sabe encaro logo um Bradescão.

Enquanto eu não decido o que fazer, o meu boné do Banco Nacional segue na minha prateleira, o Ayrton Senna no céu e eu involuntariamente no Unibanco.

………..

Ótimo texto de Carlos Pitchu que, juntamente com James Scavone, mantém aquele brilhantismo que tanto cobro da comunicação tupiniquim na Agência Salve. Salve!

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