Essa frase do título, apesar de alguma adaptação minha, foi dita por uma professora em minha sala durante a faculdade. Foi a única contribuição positiva dela, é verdade, mas eu a tomei como lema de vida pra sempre.

A verdade é que um criativo não pode abdicar de perceber e (tentar) entender tudo o que está ao seu redor. Tem que estar aberto para aquilo que ocorre em diversos lugares, de diferentes formas, com variadas interpretações que gerarão uma riqueza de estímulos – e quem sabe até soluções mais criativas em certos aspectos. Criatividade está intimamente ligada ao seu  repertório!

Infelizmente o que vemos é que a maioria dos profissionais do nosso mercado ignora isso completamente. O que é só lamento! O “padrãozinho” brasileiro de publicitário/comunicólogo/marqueteiro é aquele que tem que se interessar apenas pelo que é descolado no momento. E talvez não é bem nisso que você tenha que estar ligado pra conseguir fazer uma boa leitura do projeto que trabalha agora. Pesquisas quantitativas, planilhas, gráficos, números, focus group (analisados escondido atrás de um espelho) não passam a realidade mesmo. É preciso se sujar. Experienciar o que o usuário/consumidor/cidadão vive em sua rotina.

Mas a verdade é que poucos se propõem a tal. Muitos ainda ficam escondidos atrás de uma mesa com uma tela enorme vociferando achismos sobre comportamentos. Mas que não traduzem o cenário real.

Um bom exemplo disso é nosso duradouro reality show, Big Brother Brasil. Não sei como não entenderam ainda: não adianta xingar, a Globo vai manter o programa no ar enquanto ele der o tanto de lucro que dá. E, fraude ou não, legal ou não, ele é sim um dos mais acompanhados da TV nacional. E nós, como profissionais de comunicação, precisamos nos atentar ao que acontece ali. Não precisa ser fã. Precisa saber o que rola. Assim como também é necessário saber sobre o que tem dito o Manhattan Connection, o Roda Viva e que The Following é a série que tá bombando no exterior.

Uma experiência própria para ilustrar bem isso foi quando surgiu a tal série Sessão de Terapia e o programa The Voice Brasil. Simplesmente achei ambos muito chatos. Mas fui averiguar, ver uma ou outra edição, pra entender o que tava rolando. Afinal muita gente comentava sobre nas redes sociais.

Não tem jeito, por mais dolorido que seja é preciso dar uma olhada na Veja de vez em quando ou ligar no Esquenta pra ver o Mc Federado e os Leleks. Só assim pra perceber algumas condutas, pois nosso trabalho é, de uma forma ou outra, pautado por eles.

 

Texto originalmente publicado na Revista Recall 151 – Abril 2013.

 


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