Nessa era de redes sociais, exposição ao extremo e tudo mais, resolvi aderir. Achei um texto de uns dois anos atrás e vou compartilhar. Decidi contar a vocês como foi minha primeira vez. Só não posso revelar nomes. Experiências físicas, emocionais e sensoriais que nunca esquecerei!

A DESCOBERTA

Não me lembro de meus pais terem tocado no assunto comigo desde pequena. Lembro meu pai ter dito certa vez que era melhor perfume francês do que nacional e bem mais tarde eu descobrindo bolsas e sapatos incríveis – e algumas que duram até hoje, com as iniciais do meu nome e da minha prima Dani, no armário de minha mãe.

A PRIMEIRA

Já adolescente, passando para a quinta série passei a não precisar mais de uniforme para ir à escola. Deve ter sido minha irmã mais velha quem nos apresentou, depois de alguma paquera de longe, nos jardins. De repente me vi vestindo uma calça bag super clara, como em um sonho, com um “emezinho” rosa em um fundo quadrado preto, costurado no canto inferior direito de meu bolso traseiro. Ai, ai, eu suspirava… Como era lindo aquele ‘M’. Como eu amava passear com ele… como eu cuidava bem dele… ai, ai…

E como eu me sentia adulta e cool com aquele jeans, tão simples assim, tão de repente, tão sem querer e tão sem premeditar. Era algo muito avant garde, para alguém tão teen como eu.

Eu tinha também uma camisa cinza que o bordadinho da etiqueta ficava lá em baixo na ponta. Que dúvida cruel. Colocar a camisa pra dentro da calça e me privar de olhares cúmplices?

Como é divertido e ao mesmo tempo difícil admitir tudo isso.

De lá pra cá foram inúmeras histórias de amor que estão em minha memória, mas nunca me esquecerei desse meu primeiro encontro. E até hoje bisbilhoto por onde ele anda, mas sem chegar muito perto. Essa foi a minha primeira história de amor com uma… marca!

A SEGUNDA

Já que eu falei da primeira, não poderia deixar de falar da segunda, que foi muito especial.

Minha segunda paixão foi fulminante e com um raio amarelo, também com fundo preto. Meu coração palpitava. Nossa, como era bom fazer aniversário, me afundar naqueles cabides e ficar horas entre o provador e o desfile pros meus pais. Êxtase total. Parênteses: Gente, eu saía de “conjuntinho”, prestou atenção? O amor tem dessas coisas. A gente fica cego, passa ridículo e nem percebe. Só quando vê as fotos depois e se pergunta como assim?!

Paixão essa, talvez, a mais duradoura, e a mais dolorida de ver – ou não ver – onde está hoje.

A TRAIÇÃO

Houve também o tempo de ignorar, renegar, repudiar, criticar, esconder e desacumular. O livro NO LOGO, de Naomi Klein, jogou um balde de água fria, ou melhor dizendo, de lama na minha cara. Como eu pude ter sido tão igênua, fútil e burra? Como perdi tanto tempo da minha vida e como as marcas poderiam ser tão tão cruéis? Me senti traída, enganada e fiquei magoada profundamente, sensivel que sou. E por tempos olhei torto por qualquer bocó que fizesse propaganda gratuita para as marcas, vestindo-as.

O VERDADEIRO AMOR

Mas admito que, no fundo no fundo, sempre nutri uma paixão incondicional por todas as marcas que usei, as que nunca quis usar ou as que nunca pude usar. Amor bandido.

Sinto que muitos de meus antigos amores ficaram para trás, pararam no tempo. Outros morreram mesmo (algumas foi overdose, certeza!) e eu nem ficava sabendo do velório; simplesmente desapareciam.

O que aconteceu? Eram amores livres, despreparados, sem barreiras e com muito mix it up – trilharam histórias diferentes. Muitos eram inexperientes e também não estudaram; gostavam daquilo que faziam mas nunca se preocuparam em gerir formalmente; não fizeram suas estratégias de longo prazo, não souberam inovar e se (re)poscionar, ou se reinventar, apenas curtiram ao máximo sua juventude.

E de lá para cá, nessas inúmeras histórias de amor, foram promessas e mais promessas, cumpridas e descumpridas, acreditadas e desacreditadas, amores nacionais e transnacionais (anestesiava-me de tanto glamour), reprimidas, escondidas, exibidas, compartilhadas e contidas.

É por essas e outras que descobri minha vocação, e me alistei, independentemente de doutrinas, na Cruz Vermelha das marcas. Hoje estou mais para psicóloga que pra vítima, ajudando as marcas se fortalecerem no mercado de maneira sustentável, a partir de bases sólidas, com ética e respeito ao cliente.

E só pra (não) finalizar, alguns aninhos atrás tive de ouvir, do meu filho São Paulino e fã de lixo-food: Mamãe vamos comer no São Paulo? E pra explicar aquele logo?

E pra finalizar, me diz… antes de ler, você também achou que eu tinha endoidado??

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