Era um vez uma vaquinha…

Cansada e estressada, triste e judiada. Desde que atingiu a maioridade confinaram-na em um espaço muito, muito pequeno para viver. Não podia mais passear, ver seus filhotinhos, namorar. Não tinha mais vida, a pobrezinha. Prenderam em suas tetas uma máquina de puxar, que tirava todo o seu leite, o dia todo. Era obrigada a comer uma ração esquisita e ruim.

Seus donos malvados não davam a mínima pra ela, para o planeta, para as pessoas que deveriam cuidar dela. Assim como ela, haviam tantas outras mil. Todas juntinhas, todas escravinhas.

Seus donos, que só queriam saber de futebol, estavam preocupados em vender, vender, vender, ter retorno a curto prazo, aparecer. Torravam o dinheiro em milionárias campanhas publicitárias. Vendiam bichinhos de pelúcia atrelados à venda muitos litros de leite.

Perderam controle de seus stakeholders. Adulteraram o leite que vendiam. Bebemos leite contaminado. A empresa já havia entrado em colapso.

Outro pensamento. Outro paradigma.


Enquanto isso, vinda do outro lado do mundo, uma outra história, bem diferente estava sendo contada por aqui. E realizada.

De início, o Leitíssimo chamou minha atenção pela embalagem clean em garrafas PET, logotipo carismático e fonte (apesar de handmade) singela. Lembrei das garrafas de vidro que só via em desenhos e filmes antigos. Meu filho assim que olhou disse, apontando ao logo, de forma amorosa: “Olha, sou eu e você: mamãe e filhinho”. Ele mostra pros amigos o “leite da vaquinha” e assim iniciou-se a construção de nosso laço afetivo e emocional com a marca.

Curiosa ou desconfiada fui pesquisar. Pelo que pude observar, essa imagem de marca é resultado de sólida base empresarial, pautada por valores bem claros e boas práticas de gestão de pessoas.  Na verdade eles foram além, e tem boas práticas para seres vivos! Incluindo aí as vacas e os animais do entorno também. Claro, como sempre deveria ter sido.

A frase de um dos sócios sintetiza a devida atenção da Leitíssimo, ao primeiro passo, para construir uma marca forte: “Nada dá certo se não tiver equipe boa, motivada e bem integrada”, diz Simon, sócio neo-zelandês da Leitíssimo.

Alinhado a isso, excelente planejamento de longo prazo e visão de futuro. Um futuro verdadeiramente  sustentável, apoiado por pesquisas e tecnologia – mais uma prova de que não precisa ser bicho-grilo pra ser sustentável, assim, adianto que vc não vai precisar ter sua própria vaca pra tomar um leite saudável.

Sabendo que tudo isso gera resultado para empresa = brand equity,  nem precisaram estampar visão, missão e valores… hoje praticamente obrigatórios, mas normalmente commodities de prateleira, para alcançarem um alto padrão de qualidade e alta eficácia.

Palmas também para o trabalho Kriando, que criou a identidade visual e verbal, simples assim.

O programa Globo Rural, atestou isso tudo de perto. Vale a pena ver o programa e comprovar a simplicidade, também presente na fazenda e claro, na atitude dos sócios. Onde tudo começa.

Todas as empresas podiam começar assim. Serem sempre assim. Assim não tem fim.

 

 

 

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