Não pensei em escrever esse post pra homenagear os profissionais da área. Eu sou um deles, e me sentiria um hipócrita se tratasse com tanta leveza e ufanismo uma profissão que, apesar da função para com o ser humano em geral, a realidade de quem (sobre)vive no mercado não é a mais doce.

“On this occasion, designers reflect and hope that an international network can contribute to a greater understanding between people and can help to build bridges where divides and inequities exist”.

Segundo a Wikipédia, esse dia existe pra que nós que atuamos na área possamos refletir. Eu poderia listar todos os autores aqui do blog que, com seus textos, fizeram todos refletir e abriram espaço pra que as pessoas pudessem dividir, desabafar o mau do dia-a-dia que nos incomoda. Mas essa é uma ocasião especial.

O que eu consigo refletir nesse dia é o que eu reflito, na verdade, todos os dias da minha vida.

Não conseguimos encarar nossa profissão de forma leviana, como um simples emprego, uma fonte de renda. O que a gente faz, produz, é o que a gente vive. E eu, você e ele, queremos viver da melhor forma possível, fazendo o que a gente gosta. Nós queremos mais oportunidades, e isso tem muito a ver com o que a gente vê todos os anos no anuário do clube. Nós não somos da panela que foi estabelecida há 20 anos atrás quando as primeiras agências chegaram no estado (ou no Brasil). Nem queremos fazer parte da panela. Queremos é mostrar que temos talento, mostrar que somos bons, e isso não tem nada a ver se a agência em que trabalhamos tem 20 ou 200 funcionários, se ela veio do interior ou se é uma multinacional. O vigor dessa profissão não consiste em virar noites, trabalhar finais de semana e ser recompensado com taxi e pizza. Consiste em ser honesto, ter um trabalho honesto, uma atitude honesta. Nós queremos ser valorizados. Não queremos ganhar mais do que deveríamos, independente do nível em que estamos hoje… queremos um salário justo. Um horário justo. Coordenador, gerente de marketing não é designer nem diretor de arte. Nós é que somos. E queremos ser tratados com dignidade, não queremos mais abuso sob nenhuma circunstância. E se houver, somos corajosos o bastante pra não se acomodar. O designer precisa aprender a dizer não, sem ter medo de ser demitido. Quantas alterações você já fez hoje? E porque? Você realmente achou necessário? E porque não discordou? Pra isso é preciso culhão. E talvez a maior prova de que você os tem, até agora, foi ter escolhido essa profissão, que exige talento e esforço (não menosprezando ninguém, mas poderia ter sido bem mais fácil ser jogador de futebol, ou administrador, certo?). O que é bom pra você pode não ser pros outros, mas o que é bom pros outros não pode ser o que te faz mal. Precisamos deixar o individualismo de lado e prestar mais atenção no coletivismo. Colaborar não é doar, nem perder… quando trocamos idéias, referências, ideais, projetos, só temos a ganhar. Dê a cara a tapa, mostre seu trabalho, separe a crítica construtiva da ofensiva e construa seu próprio caminho. Gaste 2 horas do seu dia aprendendo uma coisa diferente…

Nós não somos limitados. Não queremos um emprego. Estamos aqui por uma carreira.

Não estou representando o profissional de Design Gráfico como um todo. Talvez a realidade que eu viva é bem diferente da que você, ou ele vive. Mas sabemos que boa parte das decepções são vividas em comum.
Reflita, pense, divida, desabafe. Tire o dia pra pensar em tudo o que diz respeito à nossa profissão.

E tenha um dia feliz.

Por Nelson Balaban, via IdeaFixa.

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