Nosso país nunca esteve na pauta global como nos últimos anos, meses e dias. Além de não ter sentido de forma intensa os efeitos da crise que assolou o mundo, tornou-se sede da Copa do Mundo de Futebol em 2014 e, mais recentemente, sede das Olimpíadas de 2016. Acredito que jamais os terráqueos ouviram falar tanto do Brasil. Resumindo, estamos na moda.

Creio que todos os brasileiros nutrem o sentimento de que “agora vai”. E realmente essa é uma onda (tsunami, talvez) que alavanca o país e, se bem aproveitada, pode dar o devido impulso para que deixemos de ser apenas o futuro para ser, definitivamente, o presente.

Lógico que toda essa efervescência de acontecimentos agita críticos e entusiastas. Não dá para negar que o país tem várias carências que os investimentos nos dois eventos esportivos poderiam amortizar. Ao mesmo tempo, se aproveitada devidamente, a estrutura deixará uma herança importante para a população. Há também a possibilidade de reacender um nacionalismo há muito adormecido. Em contrapartida ainda não confiamos nas pessoas que se propõem a conduzir obras dessa grandeza. Mas há um fator muito importante que será decisivo na imagem que o país quer mostrar: a experiência da visita (experiência de marca).

“Experiência de Marca” é a percepção de valor que uma marca cria (positiva ou negativa) em qualquer ponto de contato com as pessoas, seja comunicação, ambientação, embalagem, produto, etc.

Hoje, no exterior, o Brasil até tem uma imagem um pouco melhor do que há alguns anos atrás. Mas ainda há o ranço de uma economia instável, de imigrantes ilegais, da falta de segurança, do tal jeitinho brasileiro, da corrupção, da má distribuição de renda e da antiquada visão de uma terra praticamente selvagem, até com animais nas ruas. Não podemos nos esquecer dos problemas no Pan de 2007, realizado também no Rio de Janeiro. Em minha opinião, o mais grave deles foi o atendimento médico terrível dado no Para-Pan, que culminou com a morte de um atleta argentino.

A bem pouco tempo somos vistos com mais simpatia pelo mundo (mesmo com Hollywood jogando contra em algumas vezes), a partir da estabilidade econômica, da exportação de grandes profissionais e de produtos de qualidade, das grandes empresas que atuam globalmente e, porque não, da política externa intensa.

A partir disso, vislumbramos sempre uma Copa sem problemas, com estádios em condições de abrigar jogos de alto calibre (como uma final, por exemplo) e uma disputa acirrada (somente dentro de campo) pelo campeonato do esporte mais popular do mundo. Ou ainda, em 2016, uma Olimpíada que faça jus ao esforço diário de cada um de nós brasileiros (ao pagar os altíssimos impostos), celebre o espírito esportivo com segurança, apague a imagem do Pan de 2007 e crie uma estrutura que não fique à deriva após o término das competições. Porém, muito além disso tudo, qual imagem o Brasil quer deixar para o mundo?

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